4 de janeiro de 2011
"Todos os seres que amam a poesia são por ela unidos e aparentados em laços indissolúveis. Pois mesmo que possam em sua vida buscar as coisas mais diferentes, um desdenhando completamente o que o outro considera sagrado, desconhecendo-se, incompreendidos e para sempre estranhos, permanecem unidos e em acordo nesta esfera, graças a um encantamento de ordem superior. Toda musa procura e encontra a outra; todas as correntes da poesia deságuam juntas no grande oceano universal."
Em Conversa sobre poesia, de Friedrich Schlegel.
Em Conversa sobre poesia, de Friedrich Schlegel.
Eu cantarei de amor tão docemente,
Por uns termos em si tão concertados,
Que dois mil acidentes namorados
Faça sentir ao peito que não sente.
Farei que amor a todos avivente,
Pintando mil segredos delicados,
Brandas iras, suspiros magoados,
Temerosa ousadia e pena ausente.
Também, Senhora, do desprezo honesto
De vossa vista branda e rigorosa,
Contentar-me-ei dizendo a menor parte.
Porém, pera cantar de vosso gesto
A composição alta e milagrosa
Aqui falta saber, engenho e arte.
(Soneto de Luis de Camões)
(Soneto de Luis de Camões)
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